O mundo está cheio de canários amarelos de asas cinzentas. Pena que tão poucos deles tenham aprendido a cantar. Alguns são jovens que desconhecem quem são, o que podem vir a ser ou até mesmo o que desejam ser; tudo o que querem é ser alguém. Outros estão curvados pela idade, abatidos por preocupações ou repletos de dúvidas, levando uma vida muito aquém de seu potencial.
A fim de vivermos plenamente, devemos desenvolver a capacidade de enfrentar os problemas com coragem, as decepções com alegria e o triunfo com humildade. Talvez se perguntem: “Como alcançar essas metas?” Respondo: “Adquirindo a verdadeira perspectiva de quem realmente somos!” Somos filhos de um Deus vivo e fomos criados a Sua imagem. Pensem nisto: criados à imagem de Deus. Não é possível ter essa convicção sincera sem vivenciar um profundo sentimento renovado de força e poder.Em nosso mundo, o caráter moral costuma ser visto como secundário em relação à beleza e ao charme. Contudo, o conselho do Senhor ao profeta Samuel ecoa já há muito tempo: “O Senhor não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o Senhor olha para o coração” (I Samuel 16:7).
Ao buscar um homem de fé, o Salvador não o escolheu no meio de hipócritas que eram vistos regularmente na sinagoga. Na realidade, chamou-o entre os pescadores de Cafarnaum. Simão —hesitante, inculto e impetuoso — tornou-se Pedro, Apóstolo de grande fé. Um canário amarelo de asas cinzentas tornou-se digno da plena confiança e do amor duradouro do Mestre.
Na escolha de um missionário fervoroso e eficaz, o Salvador não o achou no meio de Seus defensores, mas entre Seus adversários. Saulo, o perseguidor, tornou-se Paulo, o pregador.
O Redentor escolheu pessoas imperfeitas para ensinar o caminho da perfeição. Fez isso no passado e continua a fazê-lo hoje: chama até mesmo canários amarelos de asas cinzentas. Ele convida todos nós para que O sirvamos aqui na Terra. Nosso comprometimento deve ser total. E em nosso empenho, caso venhamos a tropeçar, que supliquemos: “Guia-nos, guia-nos, Tu que os homens modelas, ergue-nos do abismo e leva avante nossa caravela”.
Oro para que sigamos o exemplo do Homem da Galileia, que sempre estava ao lado dos pobres, desprezados, oprimidos e aflitos. Que um cântico verdadeiro brote de nosso coração ao procedermos
dessa forma.
Presidente Thomas S. Monson
A Liahona Junho de 2010